quarta-feira, janeiro 18, 2006

Breve romance de sonho

Já estava ficando tarde. A comida estava deliciosa e a companhia dos colegas de vôo foi muito agradável, mas se quisesse ir ao pequeno bar gay local precisaria me apressar.
Mainz é esta pequena cidade alemã, logo fora de Frankfurt. Bem típica, com sua arquitetura um pouco gótica, incrivelmente limpa e organizada (o ônibus passa na parada com exatidão de minuto), com um povo bonito e estiloso.

Acabamos todos indo ao bar: um lugar minúsculo e obviamente lotado. Logo percebi este sorriso em minha direção. Um pouco mais alto que eu, loiro, de olhos azuis, provavelmente mais jovem que eu e um sorriso grande e amistoso. Mantive o contato até que veio pra mais perto e acabei pegando a mão dele e o puxando para sentar numa mesinha que havia recém desocupado.
Depois de um pouco de conversa descobri que ele estava estudando inglês (daí falar tão bem), que tinha a mesma idade que eu (nossos aniversários diferiam em data por apenas alguns dias) e me convidou pra ir pra sua casa, já que estava ficando tarde e ele já teria de ir de qualquer forma.
Ele morava nessa espécie de apartamento onde são como casas de dois andares ao redor de um pátio interno. O dele ficava no térreo, após uma pequena escada. A bicicleta logo na entrada; a cozinha uma bagunça; um grande quarto com um espaço vazio e um piano ao lado da cama. Ele logo me deu os fones e tocou pra mim.
Um pouco de romance (ele era todo bonito) e apenas dormimos juntos.

De manhã, pediu desculpas por não termos ido além, mas que eu devia entender que como eu viajava pelo mundo o tempo todo, ele precisava tomar um certo cuidado, já que eu poderia ser promíscuo e nós haviamos apenas nos conhecido. Eu não falei nada, pois acho que teria agido da mesma forma, mas não preciso dizer o tipo de sentimento que me invadiu.
Ele me levou até próximo ao hotel e se despediu me dando um beijo ali, no meio da rua. Havia me esquecido que na Alemanha já era permitida a união civil de homossexuais.
Mandei e-mail, e até nos falamos ao telefone, e depois de algum tempo tive outro vôo a Frankfurt e liguei para ver o Gregor. Ele pareceu muito feliz ao telefone e disse que me pegaria no hotel. Quando desci de elevador, as portas se abriram e ele estava lá, me esperando. Veio em minha direção, creio que para me dar um beijo na boca, e não sei porque, coisa de quem não está acostumado a poder fazer essas coisas em público, me deu um nervoso e eu virei o rosto e o beijo caiu na minha bochecha. Muita infelicidade! Sabe quando fazemos a coisa errada na hora errada? Pois acho que esse foi um desses momentos.

Fomos pra casa dele com um amigo, e ele quis me mostrar uma composição dele. Disse que eu entenderia, pois era sobre unlucky love.
Piano...
I didn't know I could feel like this...
Don't go away...
Mais piano.
Me levou ao hotel e nos despedimos. Tentei manter contato, mas ele já era difícil de contatar antes. Voltei outras vezes a Mainz e nos vimos. Uma vez até fomos a esse café. Mas nunca mais passou disso.
A última vez que fui não tentei ligar. Talvez da próxima vez.